Foi só para agradar!

Quantas vezes falamos “coisinhas” para agradar as pessoas, só pensando em não magoá-las? Se na vida pessoal já é não certo, na profissional deveria ser motivo de justa causa!

São essas coisas que falamos que ecoam em ouvidos despreparados e formam verdadeiros incompetentes, principalmente, em repartições públicas e entidades que não visam lucro. Para piorar, as pessoas acham que estão ajudando em não falar a verdade. Ledo engano.

Assim, paro para refletir quando aquela pessoa que trabalha há anos, fazendo a mesma tarefa e de forma razoável, ou até ruim, acha que é a melhor no que faz e que seus resultados são ótimos. Muitas vezes isso acontece porque pessoas que lidam diretamente no processo não dizem a verdade quando algo sai errado. É aí que entra e mentirinha, quando dizemos: “Ficou ótimo!”, quando na verdade ficou só bom.

Isso é fruto da criação do ser humano que, enquanto criança, cresce ouvindo dos pais que não pode dizer a verdade. Quando vê uma pessoa com um nariz diferente, por exemplo, e diz: Olha papai que nariz feio aquele.  É repreendido: Filho não pode dizer isso!

É obvio que as pessoas têm várias formas de dizer a verdade, inclusive àqueles que se dizem os verdadeiros e transparentes que “falam o que pensam”. Para mim, dizer o que pensa sem pensar na forma que vai dizer é falta de educação e de cordialidade. E no ambiente de trabalho eu chego a pensar que alguns casos é maldade, porque não dá a chance desta pessoa saber que não vai bem e por isso buscar a melhoria.

Em muitos casos, os pares dizem coisas boas aos ouvidos alheios só para não se aborrecerem e prejudicam o todo e, principalmente, a pessoa, que passa anos absorvendo a ideia de que faz as coisas bem. Resultado: quando saem deste ambiente e encontram outro, descobrem que não são e não eram aquele belo profissional que recebia elogios.

 Portanto, quando um colega, um subordinado, um colaborador não fizer algo da forma que se desejava, não esbraveje, nem falem mal, fale apenas a verdade de forma cortês e dê a oportunidade da pessoa melhorar.  Com isso você não vai criar profissional “ meio boca” iludido.

 

Empreendedorismo ou fuga de chefe?

Essa semana, conversando com uma criança de 13 anos, falávamos sobre empreendedorismo e rapidamente fizemos referência aos camelôs e donos de pequenos negócios informais.  Parei e refleti sobre o enorme número de “empreendedores” no Brasil.

O número é crescente e – nos faz acreditar que nosso país é exemplo neste campo, principalmente, no número de micro e pequenos empresários e os “empresários informais”, que na sua maioria são camelôs, aos quais não tenho nada contra, a não ser pela sonegação.

 Olhando alguns ex-colegas de trabalho, amigos que se tornaram empresários e tendo experiência em viagens para treinamento aos empresários por todo o Brasil, percebi que o discurso da maioria deles é de uma pessoa que não quer “ter patrão”. Ou seja, na verdade essa maré é do crescimento de pessoas que não conseguem ser subordinadas, que não conseguem seguir regras e que acham que ganham pouco pelo que fazem e ainda ajudam a eles, os patrões, a enriquecerem.  Param e pensam, “se eu o ajudo a ficar rico, eu mesmo vou ficar”.

Não critico as pessoas que querem ter mais renda ou que não conseguem ser subordinadas, mas vejo esta fala sendo banalizada.

- Ah, abrindo meu negócio eu não tenho patrão, ninguém manda em mim e eu vou ficar rico.

Este é o primeiro passo para o insucesso, que alimenta um enorme número de empreendimentos, de micro e pequeno porte, que não duram nem três anos.

O despreparo em gestão, a falta de foco, a falta de ter na missão do seu negócio a satisfação do cliente e a realização de uma atividade satisfatória para as partes, leva ao caos financeiro, porque estes “empreendedores” só pensam no lucro pessoal e no investimento in persona, alimentam seus desejos de enriquecimento (ou desejos de consumo?), pagam o carro novo, a casa nova, o novo celular da 25, as bolsas falsas da Victor Hugo, enfim!

O que mais me preocupa é que o poder público se vale destas pessoas e destes números para ilustrar o crescimento do Brasil, enquanto cria-se uma cultura da insubordinação, da vida empresarial ilegal (claro que eu levo em consideração o quanto burocrático e oneroso é para abrir legalmente uma empresa, mas não justifica) e da busca pelo conforto através do “empreendedorismo”, que no fim só faz crescer a máquina das falsificações e da informalidade.

 Para Meredith, Nelson e Nech (apud UFSC/LED 2000 p. 51)“ Empreendedores são pessoas que têm a habilidade de ver e avaliar oportunidades de negócios; prover recursos necessários para pô-los em vantagens; e iniciar ação apropriada para assegurar o sucesso. São orientadas para a ação, altamente motivados; assumem riscos para atingirem seus objetivos” – o que é bem diferente daquele que tem um “negocinho” ou é camelô!

Confiança

Eu sempre tento ilustrar as coisas que quero explicar. Tenho pra mim, que as metáforas ajudam bastante. Quase pergunto, sem ofender – porque acho importante mesmo: Quer que eu desenhe?

Aliás, na minha sala tem um quadro branco, que além de servir como quadro magnético para prender papel, sempre tem um espaço vazio e canetas por perto pra eu desenhar enquanto falo. Vivo fazendo isso!

Isso tudo pra dizer que hoje, criei uma metáfora, para ilustrar a confiança nas relações. E aí vai. Pra mim, confiança é um processo, como o de construção de uma represa, onde aquele paredão de concreto é a confiança e água, se torna as forças externas que vivemos a lidar.

Com isso, se você quer a confiança do seu filho, da sua namorada, do seu chefe, do seu amigo… Primeiro saiba que esta é uma construção de vocês, em dupla e nunca individual. Se der certo ou errado são 50% de responsabilidade de cada um.

Então, se esta represa, desde o início, tudo começou com uma base sólida, com pedras bem colocadas (verdade, paciência, entendimento, conversa, e outras coisas) ela pode até rachar ao longo de sua construção, que se houver um cuidado em remover tal rachadura, ainda nesta fase, depois, a duração é eterna e as águas passarão por cima, sem afetar a parede.

Depois de construída, a confiança precisa de boa manutenção, em especial nas áreas onde rachou no inicio (se houveram rachaduras) – esgotem o assunto, mostre para o outro que ele pode ter confiança e m você, a confiança não é uma via de mão única, quem desconfia quer amostra de que pode ser diferente.

Agora, se as rachaduras vêm, e são apenas tapadas, não é dada atenção, passa-se por cima, mesmo assim, podemos construir uma confiança, mas rachada, com remendos. Aí é que água – as situações do dia-a-dia, que não controlamos, levam toda a malha de concreto passando por cima e rompendo a capacidade de segurar sua força, aparentemente sólida, mas com pequenas rachaduras.

Uma confiança sólida, com boas pedras de esquina, passa sem problemas pelas maiores armações, pelos maiores coincidências e outras situações que podem trazer muita água revolta, mas que não leva um paredão de concreto CONFIANÇA!

Onças corporativas

               As onças são animais em extinção no seu habita natural e também nas corporações. Mas quem são as “onças corporativas”?

                Fazendo um paralelo com o mundo animal, ainda hoje existem (bem menos) profissionais com esse perfil, que se caracterizam por pessoas que tentam dominar seu ambiente de trabalho de forma feroz, individualista e territorial. São aquelas pessoas que acham que tudo só está como está porque elas existem. Ninguém mexe nas “suas coisas” (que são da empresa), nem dá palpite no seu dia a dia de caças e ações furtivas. Demarcam território, quase que com urina e afastam com voracidade quaisquer ameaças.    

                Neste rol estão onças macho e fêmeas, grandes ou pequenas, mas em sua grande maioria com idade avançada e que vem perdendo espaço para os profissionais “lobos” que agem em grupo, com foco no resultado, com estratégia, velocidade (os lobos no ambiente natural correm com até 70 km/h de velocidade) articulação e com grande desenvoltura de equipe.

                As onças se prendem ao que sempre fizeram: saem pra caçar, se escondem, bebem água no mesmo lugar e assim vão. Quando se sentem ameaçadas, são inteligentes e estudam a ou o oponente. Tentam subjugá-lo, deixa-lo sem presas e com “fome”, perdidos em seu território. Já ouvi casos de onças corporativas que são quase hienas, burlam emails, rasgam documentos, fazem chantagem emocional e por aí vai! E o pior que muitas vezes, quando são percebidas no meio ambiente de trabalho, estas já expulsaram dúzias de outros profissionais.

                Agora, o que elas não contavam é com o crescimento da alcateia de lobos, que vem para a vida corporativa como animais modernos, levando a teoria de Darwin consigo, evoluindo.

                Esses machos e fêmeas corporativos, dominantes, vêm tirando território das onças, sem se preocupar com elas, ou seja, ocupam seu espaço, sem rosnar, sem ameaçar, só caçam seu alimento de forma mais organizada, tomam suas arvores de deleito, não descansam a sombra e mudam o habitat, pra melhor.

                Os lobos só caçam com objetivo no resultado, são fies a alcateia, ao líder. Passam o ensinamento aos mais novos no grupo, dividem as tarefas no clã e assim sobrevivem em meio a vários incidentes e mais, tornam o ambiente em um lugar seguro para “agir” (trabalhar), colaborativo, leve e ao mesmo tempo competitivo, mas com igualdade e transparência.

                A extinção destas onças ainda está longe, mas muitas estão sendo caçadas, com liberdade, para dar espaço aos que querem manter o equilíbrio na cadeia corporativa.

Líder, chefe ou sei lá o que…

 

Até hoje tive a sorte ou competência, mas acho que ambos, de só trabalhar em boas empresas.  

Varig (na época do auge), Accenture e CNC me deram o privilégio de contribuir com suas atividades.  

Mesmo sendo “grandes” organizações e assim como os ramos são diferentes, os “chefes” também são. Aliás, como não seriam, são pessoas! Mas o fato em questão é: Como equilibrar as situações do dia a dia, os interesses pessoais, os profissionais e ter um bom ambiente de trabalho.  

A resposta?! (Quem tiver me manda!).  

Na verdade eu acho quase impossível, uma vez que quanto maior o número de pessoas de uma equipe, pior é para achar esse equilíbrio, pois os interesses são muitos. Já vi inúmeras fórmulas, cursos e outras ferramentas para tentar melhorar essa situação – melhorar mesmo, porque dar fim, ainda acho impossível.  

O que penso é que os indivíduos que comandam equipes deviam se preocupar mais com as pessoas do que com os resultados, uma vez que são elas, as pessoas, que levam ao atendimento das metas estabelecidas.  

Por isso que é tão difícil ser “chefe” e eu na condição de colaborador não fico no lado passivo da coisa – “ó céus que chefe é esse que não se preocupa comigo”! Faço a minha (nossa) “meia culpa” e tento abandonar os pensamentos de que os líderes tem de compreender tudo de nós, compreender que nosso dia não começou bem, adivinhar que queremos aumento e outras coisas que colocamos nos fardos alheios. 

Bem, fica a reflexão: Chefe, líder, gestor, ser ou não ser?!

Uma nota de R$50,00

Há mais de uma década atrás eu ia pelo menos uma vez por ano a Minas (MG) em uma cidade chamada Cruzes, isso mesmo: Cruzes. A bem da verdade, no caminho até lá, cerca de 8 horas, uns 500 km do Rio de Janeiro, eu as via bastantes, as cruzes, mas na cidade não tinham muitas.

Passamos a conhecer a cidadezinha por conta de uns vizinhos que tínhamos, claro oriundos de lá e que nos convidaram para conhecer a casa, a fazenda onde moravam. Fomos à primeira vez e foi paixão a primeira vista. Na época um ligar ímpar. Não tinha luz, saneamento básico, asfalto, quase nada…

Isso era nosso aventura em família, quase sempre abordo de um Gurgel G15, nosso famoso “Trovão Azul” (que hoje merece ir para o Lata Velha). Pois cachoeiras lindas, plantações de café, laranjais, cavalos, bois e outras coisas típicas de interior preenchiam nossos dias e noites a beira do fogão a lenha e das lamparinas.

A população local, pequena claro, era quase que na maioria de pessoas bem simples e nessa proporção, eram muito simpáticos e receptivos, quando chegávamos naquele furgão azul era uma festa, até porque íamos carregados de roupas e outras coisas para presentear os muitos amigos que lá fizemos.

Uma, das muitas, histórias que marcaram lá foi a da nota de cinquenta reais.

Com uma renda mensal de no máximo cem a reais, à época, por pessoa, a ameaça da miséria era próxima, que só não acontecei pelos períodos de colheita de café e pelo fato de todos os membros das famílias trabalharem. Dos pequeninos de 5, 6 anos aos senhores e senhoras de 70, 80 anos.

Aí em uma tarde de jogo e como só havia televisores na cidade, no centro e claro, nos bares, fomos ver um jogo da seleção brasileira. Jogávamos uma sinuca, meu pai ”biritava uma branquinha” e a partida se desenvolvendo. Lembro que o Brasil ganhou, mas não me lembro de quem e nem de quanto.  

Os fogos estrondavam os tímpanos quando resolvemos voltar à fazenda e minha mãe sacou uma nota de R$50,00 para pagar a despesa . Foi o acontecimento da semana. O real era moeda nova, mas já estava em circulação – se não me falha a memória – a uns 2 anos e por lá nunca, ninguém tinha visto uma nota de 50. O dono do bar correu para pegar um cartaz que o banco tinha lhe enviado com as fotos das cédulas.

Foi um alvoroço, todos queriam ver, pegar, admirar aquela quantia, que para muitos era o ganho do mês, resumidos em um único pedaço retangular de papel colorido.

O que faz dizer que esse dia não teve preço é lembrar sempre que nesse Brasil as desigualdades são muitas e que aqui, nas grandes cidades as pessoas reclamam, “fazem bico” com o ônibus que atrasa dez minutos. Deviam ir a Cruzes, andar uma hora no breu, depois de passar o dia no sol quente colhendo café, estudar de 18:00 as 21:00, para chegar em casa e comer arroz e feijão com alguma hortaliça do quintal e mesmo assim ser feliz, ter saúde e ver o colorido da vida.

Claro que o mundo é desigual e sempre vai ser, as oportunidades são diferentes, mas viver com o que podemos ter é a chave, e não fazer disso uma desculpa para não fazer da vida, deste tempo um tempo de rugas na testa de tanto reclamar.

 Um pedaço de papel pode valer muito. Aquela nota de 50,00 valeu por um dos dias mais reflexivos da minha vida.

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